Mais ZoomMenos Zoom

Email Um

quarta-feira, 18 de maio de 2011



Email de 20 de setembro de 2009, 
postada a uma amiga muito amada
que a mãe havia transcendido. 
Não será corrigido, pois foi escrito
no calor de uma emoção de muita dor 
por qual eu também passava.



Querida
O começo é muito difícil, não é uma revolta porque ela foi, dentro de nós sabemos que ela está feliz, bem, junto a pessoas que ela ama (mãe dela, pai, irmãos); o que dói é que nós ficamos... É como se tivessemos perdido o trem na estação... Você vai sentir de alguma forma uma comunicação sutil, um sonho onde uma frase marca, um pensamento inesperado com alguma coisa que ela lhe diria para uma certa situação, e coisas do gênero... Você sabe que de alguma forma nada acabou ou morreu, apenas é como quando andamos e viramos a esquina e deixamos de ver o outro lado, mas ele está lá... Dói, dói, dói... E lhe digo infelizmente, dói cada vez mais, a dor só aumenta... O que posso dizer de bom, é uma dor que você acostuma a viver com ela, é uma ferida aberta não cicatriza, mas se torna convivivel... Minha sogra me havia falado que as pessoas melhoram por volta de dois anos. Eu achei que ela tinha razão, foi quando eu consegui falar dela sem que as lágrimas rolassem na minha face, só no meu coração.
Eu fiquei muito só, ela era a minha confidente; eu também vim morar num sitio, com meu marido, prático e objetivo, e acabei readquirindo um habito de criança, uma criança que fui que brincava sozinha... Eu voltei a falar sozinha... Depois de um tempo eu percebi que falava com ela, muitas vezes as mesmas brincadeiras que fazia com ela, as mesmas observações que faria como se ela tivesse ao meu lado... Bem em determinado momento, eu passei a entender que ela estava ali... E é engraçado porque às vezes eu começo a falar com ela algo que estou preocupada ou sei lá analisando, e dentro de mim vem uma frase ou uma resposta típica dela, e às vezes, eu ainda respondo: ”ah mãezinha, daqui a pouco você vai dizer que acredita em papai noel e historia da carochinha...“ Eu falava isso quando achava que ela estava amenizando algo, ou analisando com muita inocência...
Eu fiquei assim... E quando o meu sapato aperta, eu grito: “mãezinha o que eu faço???“ E pode ter certeza a resposta se encaminha para mim...
Não a vejo, mas ela me vê. Ela me ampara, ela me cuida, ela me dá força para continuar esta minha pequena jornada...
Ninguém morre quando é amado, esse alguém só sai do corpo dele e de alguma forma milagrosa se instala no nosso corpo, no nosso coração e na nossa mente. E você percebe que a vida daquela pessoa valeu a pena, porque ela conseguiu de alguma forma deixar uma marca amorosamente da sua historia.
Minha mãe dizia que levou 16 anos para aceitar a morte da mãe dela, eu aceitei a morte da minha mãe no minuto que ela transcendeu, mas sei que por toda a minha trajetória nunca mais vou recuperar aquele sorriso livre que tinha, pois uma parte de mim morreu com ela.
Mas sinceramente, com todo o meu coração prefiro assim; que ela não tenha passado as agruras de passei com meu pai, e que hoje tivesse ao lado dele se sacrificando em cuidados que ele necessita.
Quando minha mãe morreu eu comprei uma corrente e um pingente que nunca mais tirei do pescoço. É assim: um coração e uma metade dele é cheio de umas pedrinha que parecem lagrimas e mandei gravar: “Daisy, mãe amada, inesquecível, insubstituível.”
Tenha a certeza que você vai melhorar, não hoje, não já, mas vai. E aí você vai também de alguma forma partilhar o seu corpo e a sua alma com a sua “mãinha”, que agora está sorrindo, olhando para você, com muito orgulho da filhinha que ela tem, principalmente que faz uma macarronada maravilhosa...
Porque você não faz uma bela macarronada para saborear por ela?
Não leve a vida tão a sério, ela não é seria, ela é magica, é só uma questão de saber ver.
Com todo o meu amor, da sua irmãzinha e amiga,
Ledha


0 comentários :

Postar um comentário

NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE