Mais ZoomMenos Zoom

Dono do Meu Coração

segunda-feira, 6 de junho de 2011





É noite escura, tempestuosa. Do meu quarto olho a vidraça que escorre a chuva como se chorasse a ausência do dia. Meu coração está agitado, meus pensamentos estão desordenados. Amanhã é o meu casamento com Marcelo. A igreja foi toda ornada com lírios, rendas, tules, e velas, da entrada, corredor e altar. O tapete também é branco. Eu fico imaginando, entrando com meu lindo vestido ao som da marcha nupcial. Acho que sempre sonhei com esse tipo de casamento romântico. Aquele que você fala que é para sempre. Bem estilo Cinderela mesmo: e viveram felizes para sempre. Foi assim com Marcelo. Eu o conheci na faculdade. Acho que todas o queriam, também ele é carismático. Tem um sorriso lindo, sempre educado e gentil, inteligente e alegre, estudioso e com um futuro brilhante.
Mas Marcelo foi meu assim que me viu. Eu soube na hora. Mas me fiz de rogada. Não respondia aos seus olhares. Saia assim que ele chegava numa roda de amigos. Achavam até que eu não o suportava. Imagine, eu só queria que ficasse bem claro a ele, poderia ter todas, mas a mim teria que ralar, teria que ser para valer, teria que ser para casar... Era isso ou nada. Mas isso não o assustou, muito pelo contrario, ele ficou mais aguçado por mim. Até que um dia no corredor da faculdade, ele me segurou e falou: “Você não sabe, ou finge não saber, mas você é a mulher da minha vida, é a mulher que quero para mãe dos meus filhos e para envelhecer ao meu lado. E garota, põe uma coisa na sua cabeça: eu sempre consigo o que quero. Eu quero me casar com você”... Eu achei aquilo tão inesperado que não consegui nem responder, apenas dei uma risadinha nervosa, e entrei em aula.
Desse dia em diante Marcelo foi mais acintoso em sua demonstração de interesse, buscava descobrir as coisas que eu gostava e me enchia de mimos, flores, chocolates, etc... Um dia me disse: “Chega, já fiz tudo para te conquistar; acho que está na hora de você dar uma trégua, que tal um jantar no seu restaurante favorito". Bem foi lá, a luz de velas, som de piano, e uma comida maravilhosa que realmente começamos a namorar. Acho que passei a ser a garota mais odiada pelas mulheres da faculdade, mas já era tarde, ele era meu, só meu...
Fui conhecer sua família, a mãe Laura, o pai Arthur, e o irmão Alberto. Laura fez questão de dizer que era a primeira namorada que Marcelo levava em casa; mas Marcelo interrompeu: “primeira e última, vou me casar com ela”. Naquele dia ele me deu a aliança, que uso até hoje...
Ele quis que tudo fosse rápido. Em três meses casaríamos.
E aqui estou eu, numa noite insone, sabendo que amanhã estarei casada com Marcelo.
Já tentei dormir, mas só rolei na cama. Tantas recordações, tantas palavras, povoam minha mente. Não houve uma última palavra, somente a lembrança noivado e casamento. Eu ainda tinha tanta coisa a dizer, e só calei...
Está amanhecendo. Algumas lágrimas povoam meu rosto. Penso então em Marcelo.
Lavo o rosto, coloco meu melhor sorriso. E me preparo para participar do dia da noiva, unhas, cabelos, massagem, maquiagem, vestido, etc... Só meus pensamentos não querem assentar...
Participo de tudo, tenho meu sorriso feliz para as piadas sem graça, ou para a demonstração de tão feliz que estou. Troco duas palavras de carinho com Marcelo no celular: “Vejo você na Igreja”.
O carro me leva para a Igreja, tenho um véu pesado, e um pensamento confuso.
Posto-me na entrada da Igreja, muitas pessoas ajeitam o vestido e o véu, mais um sorriso. A Marcha Nupcial inicia e eu começo lentamente a caminhar para o altar. Como Marcelo está lindo! Ele sempre foi lindo.
Ele entrelaça suas mãos firmes na minha e sussurra em meu ouvido: “Você está linda”...
Caminhamos em passos firmes e paramos frente o padre. Meu pensamento voa...
E volto nas palavras do pároco: “Marcelo Cesar Pimentel aceita Jéssica Morgado como sua legitima esposa?”
“Sim”, responde rapidamente Marcelo.
Vira-se então para mim: “Jessica Morgado aceita Marcelo Cesar Pimentel como seu legitimo esposo?”
Eu respiro fundo e vou falar sim... Mas nesse momento olho para Alberto, e digo: “Eu não posso, eu te amo, mesmo que você não me queira, eu não consigo deixar de amar você Alberto, é como uma doença, eu nunca vou me curar”
Olho para Marcelo, que me olha chocado, murmuro: “desculpe, eu amo o seu irmão...”
E saio correndo pela igreja a fora, sabendo que irei fugir sozinha, pois o coração de Alberto não me pertence, e nunca me pertencera...

0 comentários :

Postar um comentário

NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE NAMASTE