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Fada

domingo, 26 de junho de 2011



Leila suavemente dormia aconchegada em sua cama. Era um sono tranquilo, já tarde da noite.
- Acorda Leila! Vamos acorda!
Ainda assonada, sem entender muito bem, a menina responde:
-Quem é você? Que está fazendo no meu quarto a essa hora?
-Sou o mensageiro da Rainha dos Sois, ela quer lhe falar.
-Ela vai ter que esperar, pois quero dormir agora. Talvez amanhã eu fale com essa rainha.
-Leila você não entendeu, a Rainha não pede, ela manda.
-Pode mandar em quem quiser desde que não seja eu. Olha, eu tenho prova de matemática amanhã cedo, estudei para caramba, agora eu vou dormir. Depois da minha prova, quem sabe?
Sem entender como, Leila estava com as mãos coladas uma a outra, e sendo levada, sem saber para onde.
-Ei, o que pensa que está fazendo? Conhece direitos humanos, garantia de liberdade, etc, etc, etc... Eu já disse não quero ir!!!
-Desculpe Fada. Estou cumprido às ordens da Rainha, e tenho mais medo dela do que de você.
-Meu nome é Leila, eu odeio essa de apelidinhos... Para onde me leva?
-Para o palácio de Sua Majestade, é logico.
Leila não conseguia entender muita coisa, estava em pé, sem se mover, mas seu corpo voava pelo céu, num emaranhado de nuvens, vento, e chuva. Nada que ela pudesse achar legal, talvez parecido com a sensação da prova de matemática....
-Oh mensageiro, não tem uma forma mais confortável para me levar?
-Desculpe Fada, mas todas as linhas de acesso estão sendo vigiadas; esta é a forma mais segura.
-Seguras para quem? Isso aqui é quase um martírio. Quanto tempo leva para chegar, sei lá aonde?
-Fique tranquila Fada; em menos de três horas estaremos lá.
-Você quer que eu tome toda essa chuva, vento, tempestade, por três horas, para falar com uma rainha não sei de que?
-Rainha dos Sois.
-Dá pelo menos para soltar as minhas mãos?
-Desculpe Fada, recebi ordens para transporta-la assim; e sei dos seus poderes, por isso suas mãos estão coladas.
-Aí Meu Deus! Estou sendo levada por um maluco... Eu não me chamo Fada, eu não tenho poderes, você pegou a pessoa errada.
-Fada, é você mesmo que a Rainha tem pressa em falar. E não sou maluco, sou Duque de Saturno, assessor direto da Rainha, e vim pessoalmente lhe buscar, pois sua nobre visita é importante demais para confiarmos em alguém.
Não confiam em ninguém, mas nem se preocupam se eu pegar uma gripe e morrer com pneumonia, pensou Leila.
Completamente molhada e com muito frio, Leila se vê as portas do imenso palácio todo de ouro. O brilho era tanto que lhe incomodava a visão, belíssimo era pouco para descrevê-lo.
Foi seguindo o Duque por corredores e salas; e pararam em frente a uma grande porta.
- Vou apresenta-la a Rainha, por favor, comporte-se diante da majestade.
-O que você esta querendo dizer com isso?
Mas o Duque apenas abriu a porta curvou-se e falou Vossa Majestade a Fada.
Leila arregalou os olhos quando vislumbrou a mulher toda vestida de dourado, com uma vasta e linda cabeleira cheia de cachos negros...
-Duque, pode se retirar...
-Como vai Leilah?
As mãos milagrosamente descolaram, e estavam livres...
-Majestade meu nome é Leila.
-Leilah, eu sei muito bem quem é você.
Leila manteve o olhar firme.
-Leilah, a Princesa de Júpiter. Levada ainda bebê para viver na Terra como uma criança comum, por dois motivos: segurança pessoal e para ver de perto o bem e o mal. Possuidora de inúmeros dons, conhecida pelos seus súditos como a Fada... Então Leilah, vai continuar negando?
-E se eu fosse essa Leilah, o que Vossa Majestade iria me falar?
-Leilah, estou cansada para brincar de gato e rato. Sei bem que é você. Mandei busca-la,  pois  estou sem nenhuma alternativa, estou sendo perseguida pelo Marquês de Plutão...
-Mas Majestade, que eu saiba a Rainha do Sois é possuidora de enormes dons, não necessita de ninguém...
- Eu perdi meus dons, provisoriamente espero. Isso me deixou a mercê de mau feitores...
- Como perdeu seus dons? Uma Rainha dos Sois, não perde facilmente seus dons, e menos ainda todos os dons...
-Leilah, não lhe trouxe aqui para ser interrogada. Apenas para que impeça que o Marquês de Plutão se aproxime dos Sois, isso seria calamitoso para todos, inclusive para Júpiter...
-Perdão Majestade, mas sou sequestrada do meu leito quentinho porque a senhora de alguma forma conseguiu um inimigo e agora quer que eu Leila, o derrote?
-Eu não diria dessa forma, mas é quase isso. Vou colocar todos os meus exércitos as suas ordens e...
-Calma, calminha mesmo... Acho que Vossa Majestade esqueceu algo de suma importância quando estudou minha biografia..
-O que Leilah? Vamos tenho pressa...
-Majestade, Fadas não guerreiam. Fadas não lutam. Fadas não alimentos sentimentos negativos... Qualquer uso do mal faz com que os dons sejam retirados e até extintos... Foi isso que aconteceu com a Senhora?
-Leilah, acho que você não está entendendo. Isso é inevitável, não tem outra forma...
-Majestade outra forma sempre há, talvez não tão confortável para Senhora, mas há...
-Qual Leilah? Qual?
-Converse com o Marques..
-Você está louca, isso está fora de cogitação; acho que a matemática embotou seu pensamento.
-Bem eu lhe diria isso: é seu caminho, pois Leilah, a Fada, não colocará seus dons em risco, pois a perda dos meus dons prejudicaria em muito meu reino, meu povo, meu mundo. Isso é uma verdade, e está na sua hora de aprender Rainha, tem que impedir a guerra sem nenhuma guerra, tem que fazer do seu inimigo seu amigo...
-Leilah isso é literatura barata...
-Rainha, meus dias na terra mostraram-me o resultado da vitória através da força, e é algo terrível, mortes, devassidão, destruição, inocentes destruídos. E o que se constrói depois mais ódio. Só tem um caminho para tudo o amor, e se quer defender seu reino, somente com amor. E Majestade, essa é minha ultima palavra, gostaria agora que me encaminhasse para casa, pois tenho uma prova de matemática em poucas horas...
-Leilah, você não pode se negar.
-Errado Majestade, a Senhora não pode me obrigar, agora entendo como foi perdendo os seus dons, e imagino que para a Senhora viver sem eles não é nada fácil...
A Rainha olha firme e autoritariamente, mas nada diz. Caminha um pouco. E fala
-Fada, não socorrer alguém em perigo também é um mau ato, não socorrer um povo todo em via de ser extinto, também não é bom...
-Se Vossa Majestade quiser podemos eu e a senhora conversar com o Marques para encontrarmos um equilíbrio nisso.
-É sua ultima palavra?
-Sim...
-O Marques é um homem perigoso.
-Todas as pessoas são perigosas quando acuadas.
-Está bem, Fada teimosa.
-Vou mandar meus mensageiros convidar o Marques para um dialogo.
-Espero que não use os mesmos métodos que usou comigo, seja mais sutil, mais amigável.
-Chega Leilah!
A Rainha levantou uma das mãos e o Duque de Saturno prontamente entrou na sala.
-Duque encaminhe Leilah, para o quarto para que possa descansar um pouco.
-Eu quero ir para o meu quarto – exclama Leila já um tanto cansada.


Enquanto é levada para a ala dos quarto, Leila observa a maravilhosa paisagem pelos janelões do palácio.
De repente, Leila tem a sensação de visão turva e parece que tudo roda em sua volta...
Leila fecha os olhos.
E quando os abre um tanto desconfiada, encontra- se em outro lugar. Uma imensa sala hexagonal em tons vermelhos, e no centro dela um homem alto, muito bonito a encara.
Leila diz:
- Não me fale, deixe-me adivinha... Marques de Plutão?
-Exatamente, Princesa.
-Eu adoro como vocês são hospitaleiros por aqui.
Fala em ironia.
-Senhor Marques, eu não sei o que está acontecendo entre o senhor e a senhora dos Sois, mas realmente prefiro não me envolver em disputas. Gostaria de ser envia para o meu quarto, para meu leito, pois tenho uma prova de matemática daqui a pouco.
-Lamento profundamente o inconveniente de tê-la trazido aqui dessa forma. Não tive alternativa. Sei que gostaria de estar em sua casa, mas tenho que pedir seu auxilio e sua orientação.
-Falou bonito, mas realmente o que quer dizer é que quer que participe nessa guerra de Sois e Plutão... Já lhe adianto não participo de guerras...
-Não Leilah, também não quero guerras...
-Agora eu não entendi. Não há guerra?
-Acho que você conheceu Lorena?
-Se é esse o nome da Rainha dos Sois, eu a conheci sim.
-Esse é o nome dela, mas ela não é a Rainha dos Sois. A Rainha dos Sois encontra-se cativa no palácio. Você deve ter percebido que Lorena não tem nenhum dom.
-Isso ficou muito claro.
-Ela os perdeu todos praticando atos escusos.
-Qualquer um pode perder o seus dons...
-Sim, mas a verdadeira Rainha dos Sois, nunca perde os dois dons inerentes ao seu reino: o do fogo e o das luzes. E você deve ter percebido que Lorena não tem nenhum dom, nem esses.
-Sim, tem razão. Ela parece muito frágil...
-Sim, frágil...
-Estranha a sua forma de falar da sua inimiga...
-Ela não é minha inimiga, é a maior amiga que tenho, por isso preciso ajuda-la...
-Espera aí, acho que estou com muito sono; pois não estou entendendo nada. A Rainha dos Sois é prisioneira de Lorena, e Lorena é sua maior amiga... Afinal, você quer ajudar Lorena ou a Rainha dos Sois?
-As duas, Leila... Lorena é minha esposa...
A resposta espantou Leila, que apenas olhou para o Marques.
-Lorena, é doce e meiga, muito franzina. Temos um filho recém-nascido. Foi um parto muito difícil. Após o parto ela ficou muito depressiva, e foi piorando, busquei todos os médicos possíveis, mas Lorena só piorava. Um dia sumiu... O resto você pode imaginar. Assumiu os Sois, reino da sua maior amiga, que sabendo de toda a situação não ofereceu nenhuma resistência, apenas encaminhou um mensageiro relatando o que estava acontecendo, e pedia para que eu solucionasse isso de forma pacifica. Pedi ao Duque de Saturno que apoiasse Lorena para protegê-la dela mesma. Ele mesmo sugeriu você a Lorena.
-Espera um pouco, eu! Que tenho eu com isso? Vá lá pegue sua mulher e resolva as coisas...
-Leilah, se fosse só isso já teria feito. Lorena, não me reconhece como seu amigo, companheiro, marido. Muito pelo contrario, acha que posso destruí-la. O único caminho que tenho é lhe despertar novamente o amor.
-Ótimo, vai lá, dá um beijo de cinema nela, e vivam felizes para sempre. Todas as histórias terminam assim... Você já não cansou de ver isso?
-Ah Leilah, só você para me fazer rir agora... Minha Princesa de Júpiter, quero que você vá lá comigo e a toque.
-Poderia me explicar melhor isso? Estive com ela, fui levada pelo Duque de Saturno, seu aliado; se é só colocar minha mão nela, ele deveria ter me falado, e não quase me matado afogada naquele temporal.
-Leilah, você é a Fada, a Princesa de Júpiter, o grande reino das expansões. Um dos seus dons é aumentar qualquer coisa, inclusive os sentimentos. Todo o meu amor por Lorena não conseguiu traze-la de volta. Mas se nós dois juntos.
-Entendi, você ama, e eu expando mais ainda o seu amor.
-Se você a ama tanto assim, por que precisa da minha expansão?
-Não sei Leilah, mas meu amor não surtiu efeito. Acho talvez que por estarmos juntos há tanto tempo, a rotina, o dia a dia, não sei... Ela não acredita, nem sente o meu amor... Querida, ela está muito doente.
-Esta bem... Mas antes quero algo.
-Diga.
-Quero ter certeza que é verdade tudo que me diz. Segure a minha mão, assim eu saberei.
Prontamente o Marquês estendeu a mão. Leilah a tocou, no inicio suavemente, depois com firmeza. No mesmo momento começou a sentir a energia forte do Marques. Uma energia plutônica caraterística, envolta em amor e sensualidade. Mesmo assim quis ter certeza.
-Abaixe-se, por favor.
Com a outra mão tocou levemente no pescoço bem abaixo do queixo do Marques, e depois em um ponto na sua testa.
-Sinto sua verdade, irei com você.

Leila e o Marques chegam ao Palácio dos Sois, são recebidos pelo Duque de Saturno.
-Como ela está?
-Do mesmo jeito amigo, recolhida na sala do trono. Apesar de arrogante, parece muito amedrontada.
-Vamos à sala do trono.
Caminharam depressa pelos corredores, e adentraram a sala sem nenhum aviso.
-Que é isso? – falou Lorena – Está invadindo o meu reino.
Prontamente Leila respondeu.
-Logico que não, Majestade. Trouxe o Marques para conversarmos, como havíamos combinado. Não se esqueceu?
-Não, Leilah, não esqueci. Mas esperava ser avisada antes.
-Achei que tinha pressa em resolver a situação Majestade...
-Bem, senhor Marques, o que o senhor deseja do meu reino?
-Do seu reino nada... De você, muito... Lorena, eu a quero de volta, você é parte de mim, sem você a vida não tem o mesmo brilho, a mesma beleza, a mesma alegria... Sem você não tem como continuar. Eu a amo sempre lhe amei...
-Pronto, a mesma coisa de sempre. Leilah, isto é inútil, o Marques é um mentiroso, um farsante, e me quer prisioneira dele.
-Lorena, pense, lembre, sou eu, meu amor.
-Não sei o que diz... Por favor, isso é cansativo, e enfadonho.
Leilah se aproxima de Lorena.
-Majestade, parece mesmo muito cansada. Acho que esta conversa pode ser longa. Venha sente-se aqui. – E pegou lhe a mão como se fosse encaminhar para o trono.
Segurou com firmeza a mão de Lorena, e depois apertou um pouco mais.
Lorena pareceu atordoada, olhou em volta, e encarou o Marques.
-Felipe! Felipe! O que está acontecendo?
E desfaleceu...
O Marques correu segurou nos braços, um pouco assustado também.
Leila soltou a mão de Lorena, e dirigiu as suas duas mãos, primeiro para o coração de Lorena, e depois para sua cabeça.
E se afastou...
Lorena abriu os olhos, e disse:
-Felipe, meu amor, onde estou? O que está acontecendo?
-Nada meu amor, está tudo bem. Estamos indo para casa e tudo vai ser igual a antes.
-Felipe, eu...
O Marques suavemente acariciou a boca da esposa.
-Não diga nada, tudo já passou, acabou... Vai ficar tudo bem, meu amor...


-Leila! Leila! Acorde filhinha, hora da escola..
-Ah, mãe, só mais um pouquinho...
-Vamos levante, sua fadinha preguiçosa, você tem prova de matemática, esqueceu?

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