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O Príncipe

sábado, 11 de junho de 2011




Eu sei que as pessoas costumam dizer, isso nunca aconteceu comigo...
Bem isso nunca aconteceu comigo, até aquele dia.
Acho que eu sempre fui muito envolta no futuro, no amanhã, e encontrar o príncipe encantado, constituir uma família cheia de filhos... Bem, para variar era isso que pensava enquanto escolhia alface no supermercado. Era uma dificuldade, pois os ditos estavam meio murchos, e eu queria pelo menos um para fazer aquele sanduiche que eu adoro e queria tanto comer. Sem alface o sanduiche não iria ficar como eu gosto... Bem, tive que pegar uma alface mais ou menos, ou melhor, mais para menos; dava para quebrar um galho.
Estava com as compras completas, mas mesmo assim percorri ainda os corredores do supermercado, para ter a certeza que não tinha esquecido nada. Eu ficaria irritada ao chegar em casa, e perceber que tinha esquecido algo. Eu moro sozinha, num apartamento ovo. Verdade... É assim: você abre a porta, e já está na janela; espirra e cai lá fora. Bem estou brincando, mas ele é pequeno mesmo. Mas ele tem algo importante para mim, ele é meu. O primeiro apartamento que pude comprar e estava totalmente quitado. Ele é meu castelo, um tanto pequeno, mas meu pequeno reino. Agora eu partira para uma nova empreitada. Tinha pensado muito, muito mesmo e comprei um carro. Faz mais ou menos dois meses. Estou pagando em 36 vezes. Ficou bastante puxado para o meu salário, mas mesmo assim eu comprei. Ele é o modelo mais básico, ele é o que não tem... Não tem vidro elétrico, não tem ar condicionado, não tem banco de couro, não tem som, não tem etc, etc , etc... Mas anda, e muito bem. É todo branco como neve. Não que eu tenha visto neve, mas já vi em filme...
Socorro, olha a fila da caixa do supermercado! Está imensa! As outras também estão grandes. Vai essa mesmo...
Gente, tem um homem lindo na fila do caixa. Não na minha fila, lá na ponta. Ele está com sorte pois já está pagando. É alto, olhos claros, cabelo escuro, mas como é lindo!!! É tudo de bom... Já está saindo do supermercado. Comigo é assim, quando eu vejo alguém interessante, já está indo embora. Eu aqui pesando laranjas, e o homem que poderia ser o da minha vida, nem entrou nela. Deixa para lá.
Um dia vai aparecer alguém maravilhoso para mim.
Vou saindo lentamente, já estou sem pressa mesmo. Tenho um sofá e uma tv me esperando em casa. Êta programinha de sexta feira...
Onde está meu carrinho neve? Onde deixei? Ah, está ali, mesmo básico ele é lindinho...
Eu abria o porta mala, e começava a colocar as compras, quando eu sei lá porque, dei uma olhada rápida para o estacionamento. Gente! É ele! O lindo da fila do supermercado! Meu Deus, ele me viu... Está sorrindo para mim... Minhas mãos começam a suar... Retribuo o sorriso, o meu melhor sorriso. Tento me controlar e voltar a colocar as compras no carro. Mas não dá arrisco um olhar... Socorro, ele está vindo para cá. Que faço? Entro no carro e saio correndo? Logico que não. Calma, calma, calma. Ele está mais próximo. Bem, coragem; levanto os olhos e o encaro graciosamente. Ele irradia mais o seu sorriso. E para na minha frente. Uau, é mais bonito de perto.
E aí meu herói fala suas primeiras palavras: Você não vai acreditar, mas isso é um assalto. É uma cantada bem diferente, provavelmente vai dizer que vai roubar meu coração, o que já roubou faz meia hora. Resolvo rir como se a brincadeira fosse engraçada...
Ele fala: Não é brincadeira, querida. Isto é mesmo um assalto, e se fizer tudo que lhe mandar você não sofrerá nada.
Meu Deus, ele estava falando de verdade. Fiquei muda, de medo, de choque, de pânico. Aquele deus era o diabo, e me tinha nas mãos.
Tentei olhar em busca de socorro, mas foi em vão...
As mãos fortes seguraram meus braços num falso abraço e me encaminharam ao meu carro.
Ele sorriu, e disse: Você dirige, se não me obedecer, já imagina o que acontece...
Sentado ao meu lado, com uma pistola preta, começou a dar ordens: sai do estacionamento e siga a rua principal. Com meu coração disparado, e lágrimas de medo escorrendo em meus olhos, obedeci.
Siga para seu caixa eletrônico..
Eu estava apavorada, nem sabia o que pensar. Eu não via nenhuma saída, a não ser acatar.
Saímos do carro, num abraço falso. Apertou-me o braço e disse: Pare com esse choro. Arrastou-me para o caixa, e disse: Tudo.
“É só isso? Está escondendo a grana?
Não! Não! Tenho muitas contas para pagar inclusive o carro.
Acha que sou um tolo falou em voz baixa e meiga.
Acha que sou rica, dou um duro danado para me manter; trabalho feito uma condenada...
Estou ficando cansado de suas manhas e dos seus choros. Venha!. Eu tremi, mais ainda.
Voltamos ao carro. Abra o porta mala.... Eu o fiz. Entre nele, e fique quieta Fiquei um pouco temerosa, mas entrei; não tinha escolha.
O carro começou a se movimentar, e lá estava eu, sem mais nenhum tostão, nenhuma dignidade, o príncipe era um sapo ladrão, e eu a donzela em perigo dentro de um porta mala. Não era nada disso que imaginei, ou que sonhei. Pensei num final feliz, e não uma manchete no jornal: encontrado o corpo de uma linda mulher no meio do matagal... Ah, Deus, esse não pode ser o meu fim... Ajude-me, mande a polícia, o exército, o corpo de bombeiro!!! Mande alguém que me ajude!!!
Respirei profundamente, buscando um pouco de calma. E me lembrei de uma entrevista sobre segurança... Era isso! Obrigada Deus, é um começo...
Comecei a quebrar o farol traseiro com o meu salto do sapato. Foi bem difícil, mas eu consegui... E comecei, a tentar chamar atenção com as mãos...
E rezei, rezei, rezei; com todo o fervor da minha vida. Era uma chance.
O carro seguia correndo, sei lá para onde; mas sei que estávamos na cidade. De repente o carro acelerou mais, e mais... Ouvi outros carros pareciam também correr...
Sim, perseguiam... Mais velocidade... Mais velocidade... Estava difícil me segurar no sacolejar do porta mala...
De repente, uma brecada brusca, forte, o carro roda uma, duas, três vezes, e bate... Estou viva, eu acho... Tiros... São tiros!!! Encolho-me toda, fico mais apavorada ainda... Depois silêncio, muito silêncio, tento saber o que acontece, mas não tem como...
Passam-se uns minutos, uma eternidade... O porta mala abre... O policial fala: Você está bem? Agora está em segurança. Está machucada? Nada falei... Apenas olhei em seus olhos gentis e chorei desesperadamente. Ele mansamente afagou meus cabelos, dizendo Calma, vai ficar tudo bem.. E carinhosamente aninhou o meu corpo e carregou-me nos braços até uma ambulância...
Nada mais me lembro depois disso. Acordei num quarto de hospital. E a primeira coisa que lembrei foi os olhos do meu salvador, nem sabia o seu nome para poder agradecer...
A enfermeira contou-me que eu tinha tido sorte, pois o príncipe sapo era um marginal perigoso e procurado pela policia. Você nasceu de novo...
Eu ainda permanecia no hospital, quando entraram no meu quarto três policiais fardados, perguntaram como eu estava, disseram que o marginal já estava preso, que eu tinha sido muito inteligente de quebrar o farol...
Mas eu prontamente reconheci os olhos do meu salvador, eram meigos, fortes, protetor. Na sua farda, seu nome Maia. Ele se aproximou de mim, segurou minha mão, e disse: Queríamos saber como está, você foi muito corajosa, mas passou um susto em tanto. Foi quando as minhas primeiras palavras saíram de minha boca: Estou viva graça a você, Maia, muito obrigada.. Em que Maia respondeu: não fui só eu, meus dois colegas estavam lá também..."  Olhei a eles com olhar agradecido, e murmurei emocionada, muito obrigada mesmo...
Eles partiram. No dia seguinte, chegou um buque de rosas vermelhas, com um cartão: Seus olhos falam muito. Não consigo parar de pensar em você. João Maia
Bem, queridas, foi assim que aconteceu, perdi totalmente o carro, nada restou dele, o dinheiro também evaporou, quase beijei o sapo, e encontrei meu príncipe...
Hoje eu e João nos casamos, eu agora sou Alice Maia, a esposa do meu herói, agora não mais sonho com o futuro, eu o vivencio.


2 comentários :

Luiza Versamore disse...

Que historia incrível!!! Parabéns!
Adorei mesmo, mas aconteceu de verdade? Daria um filme e tanto!!!
Beijos,
Luiza

Eu disse...

Obrigada Luiza.
Gosto sempre de ouvir sua opinião sobre os meus contos.
É fruto da imaginação, com uma pitada do nosso quotidiano.
O principe eu emprestei o meu. rsrsrsrsrs
Bjsss,
Daisy

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