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A Rua dos Cataventos

sábado, 30 de julho de 2011


Mario Quintana
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha. 

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que n
ão tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como
único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa m
ão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto n
ão se apaga nunca!

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